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Vêm aí melhores resultados na retinopatia diabética

2008-04-15 23:24:50



Tinha uma cirurgia extremamente delicada com microscópios, na qual o mais pequeno passo poderia ser um grande sucesso ou insucesso e apercebi-me de que havia lasers acoplados que permitiam fazer muitas coisas, sendo talvez uma das poucas especialidades em que temos um campo enorme de situações para as quais podemos estar sempre a inovar e a investir. Sempre gostei de estar numa área onde pudesse ir inovando à medida do possível, para, como costumo dizer na brincadeira, fazer algo que me dê gozo e prazer. A oftalmologia dá-me muito gozo e muito prazer, porque há sempre coisas novas e diferentes que podem torná-la de uma utilidade cada vez maior para as pessoas que a ela recorrem”.

Já alguma vez se sentiu impotente perante algum caso mais complicado? A tendência é que a medicina consiga dar mais e melhores respostas aos doentes oftalmológicos?

“Já me senti muitas vezes incapacitado de resolver certas situações na minha profissão e é frustrante quando não conseguimos dar saída a uma situação complexa. Eu nunca tive problemas em contactar um ou outro colega, seja em Portugal ou no estrangeiro, a indagar se há mais alguma coisa a fazer por um determinado paciente. Com a utilização da Internet, rapidamente envio imagens de pacientes meus para troca de informações, e, muitas vezes, se sei que não sou capaz de resolver uma situação mas conheço alguém que pode resolvê-la melhor do que eu, aconselho o paciente a dirigir-se a quem tiver mais capacidades a nível técnico ou de conhecimentos em determinada área oftalmológica. Há dois ou três anos tratei um caso muito complexo em conjunto com o Instituto de Microcirurgia Ocular de Barcelona, tratando-se de uma jovem que devido a diabetes ficou praticamente cega e teve de ser submetida a umas sete ou oito cirurgias

para ficar a ver alguma coisa. O caso foi comentado diversas vezes num dos jornais nacionais e durante vários meses, no meu consultório, recebi pessoas cegas que vinham de muito longe, Algarve, Alentejo e Lisboa, na esperança de verem solucionado o seu problema. E é frustrante saber, quando as pessoas entravam no consultório, que não havia qualquer tipo de resposta positiva, pois que no caso de um cego total, o nervo que conecta o olho ao cérebro deixa de funcionar, nunca mais poderemos resolver essa situação”.

Há há algum método novo na forja?

“Uma das áreas de que gosto é a dos diabetes, sendo essa doença designada por retinopatia diabética.

Há dois anos, fui inovador em Portugal ao utilizar uma injecção que aplica um determinado líquido o interior do olho, tendo como objectivo evitar o agravamento dos sintomas. Posso revelar que dentro em breve estarei em condições de utilizar outra substância injectável que deve permitir ainda melhores resultados nessa área. Outra área de interesse é a degenerescência macular relacionada com a idade ou DMI. Hoje em dia, as pessoas vão vivendo cada vez mais e como consequência da idade surge uma doença [DMI] para a qual não havia tratamento. Em alguns casos, os pacientes, embora não totalmente cegos, ficavam com visão bastante diminuída e sem possibilidades de conduzir ou ler. Felizmente que hoje em dia, graças à aplicação de injecções repetidas [no olho] com uma nova substância, estamos a alcançar resultados relativamente bons, pois em alguns casos consegue-se preservar a visão e noutros melhorá-la. Estes produtos surgiram no mercado muito recentemente

e alguns são considerados ainda ensaios clínicos. Quanto às cataratas, o grau de sucesso é agora de quase 100 por cento se tivermos conhecimentos teóricos e práticos e o equipamento mais actual”.

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